Atômica - por Bianca Andrade

Revista de Cinefilia e Crítica do Instituto Federal Câmpus Cidade de Goiás

Atômica - por Bianca Andrade

Atômica, de David Leitch, se passa em Berlim no ano de 1989, onde a agente disfarçada Lorraine Broughton (Theron), é enviada a Berlim durante a Guerra Fria para investigar o assassinato de um oficial e recuperar uma lista perdida de agentes duplos secretos da corporação onde trabalha.

A direção de arte e os filtros da fotografia são essenciais para a produção construir o clima e o contexto de época, fazendo de “Atômica” um estiloso filme de ação. São ruas vazias, becos marcados por pichações, cartazes colados e uma paleta de cor fria. Tudo isso associado a uma música de ritmo marcante, contribuindo para criar tensão a cada cena.

A beleza plástica, entretanto, não apenas estilo vazio, mas busca auxiliar na narrativa. Quando Lorraine se levanta da banheira logo no início do filme, por exemplo, a bela paleta azul, além de evidenciar que ainda não é dia, traz uma iluminação dramática para o corpo da protagonista: Leitch utiliza o recurso cênico da banheira para mostrar a personagem nua para que o espectador veja os hematomas que ela possui e perceba que ela já estava acostumada com aquilo, por se tratar de uma banheira cheia de gelo.

Lorraine está em Londres e o diretor usa de letreiros colocados na pós-produção para passar essa informação ao espectador, já que o filme se passa em mais de uma cidade e dias, sendo um elemento para situar o espectador. Juntamente com uma música de fundo, um toque constante, grave, nos traz a tensão e o mistério que essa personagem carrega, marcado por algumas batidas, secas e rítmicas, somando com outros elementos “que aos poucos vão sendo adicionados a música) e também pela suas vestes, sempre pretas (às vezes alguns detalhes em branco), explicitando esse mistério.

Durante o decorrer do filme, com o desdobramento da narrativa a paleta de cores vai ficando mais quente, acompanhando o avanço da ação e os acontecimentos de perigo, fuga e segredos. Cheio de planos detalhes, closes para evidenciar as reações dos personagens, lutas bem coreografadas e um espetacular plano sequência, “Atômica” é tenso para assistir e bonito de se ver .

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