O Selvagem da Motocicleta (Rumble Fish) — EUA, 1983

Revista de Cinefilia e Crítica do Instituto Federal Câmpus Cidade de Goiás

O Selvagem da Motocicleta (Rumble Fish) — EUA, 1983

O Selvagem da Motocicleta (Rumble Fish), longa-metragem dirigido por Francis Coppola de 1983, demarca o traço autoral do diretor sob uma estética experimental que narra a história de Rusty James (Matt Dillon) e seu irmão mais velho, “The Motorcicle” (Mickey Rourke) em uma cidade industrial ressaltada na fotografia p & b ao longo do filme.

O prólogo e o primeiro ato apresentam o ambiente e os personagens da trama. Na cidade pichações com os dizeres sobre “The Motorcycle”, entre fumaças e sombras, caracterizam a contracultura da época e os elementos do cinema noir e dos road movies, inseridos no filme. A trilha sonora de Stewart Copland, baterista do The Police, é inquietante e perturbadora, instrumental com muitos metais e velocidade. O filme contextualiza a sociedade da época e reflete sobre o fim das gangues e da entrada da heroína no cotidiano da juventude durante os diálogos intimistas de Rusty James com seu irmão mais velho e na presença de alguns personagens.

As cores dos peixes e a fotografia P&B fazem alusão ao daltonismo do “motoqueiro”:

este personagem possui um tom de voz mais baixo e uma percepção diferente de mundo, e a sonorização contribui para a construção e aproximação do expectador com esta percepção do personagem, que parece distante e isolado. O mundo ao redor soa abafado e inebriado entre as fumaças da cidade e o ponto de vista do “motoqueiro” e de Rusty marcam o ritmo do filme. O filme é ambientado em uma cidade média e industrial, os personagens são um bando de jovens delinquentes que gostam de brigar.

O diretor recorre à profundidade de campo durante os diálogos dos personagens muitas vezes, dando destaque ao universo no qual aqueles jovens estão inseridos – e de certo forma presos.

O filme é carregado por críticas sociais: “The motorcycle”, com seu tom irônico, é tido como louco dentro da sociedade que o cerca. Porém a família o percebe com outros olhos e muitos o enxergam como uma lenda. A trilha sonora acompanha e marca o ritmo do filme, com algumas melodias se repetindo às imagens de transição, e também são atribuídos efeitos como a passagem de tempo no movimento de nuvens, da fumaça e das sombras na paisagem urbana que o filme retrata.


A referência ao tempo é recorrente no filme, como um questionamento à época e fusões e sobreposições são utilizadas para dar essa noção de constante passagem. Os enquadramentos de Coppola dizem muito sobre as relações entre os personagens, especialmente a influência do Motoqueiro no irmão.

Um belo estudo de personagens que revela, a partir do microcosmo das gangues e da câmera do diretor, a eterna busca do jovem por sentido e por um lugar no mundo. Independente da época.

 

 

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